Por que o comércio local quer sair dos aplicativos grandes
A conta do restaurante de cidade pequena é apertada. Quando uma plataforma fica com uma porcentagem grande de cada pedido, o dono passa a trabalhar para ela: aumenta o preço no aplicativo, perde cliente, ou aceita margem menor.
A alternativa que ele já usa hoje é o WhatsApp com motoboy conhecido. Funciona, mas é desorganizado: pedido perdido, entrega sem confirmação e ninguém sabe onde o motoboy está. O seu app resolve isso sem cobrar percentual da venda dele.
O argumento de venda para o comércio é uma frase: você continua dono do seu preço e do seu cliente.
As três formas de cobrar numa operação de entregas
Diferente de corrida de passageiro, aqui existem três bolsos possíveis. Escolher errado espanta o comércio ou o motoboy.
Comissão do motoboy
O modelo mais simples e o que menos assusta o comércio: o entregador paga uma porcentagem ou um valor fixo por entrega, como no app de corridas. O restaurante não paga nada, e por isso adere rápido.
Taxa fixa por pedido
Um valor combinado por entrega, pago pelo comércio ou pelo cliente final. Previsível para os dois lados e fácil de explicar. É o modelo que mais funciona onde a taxa de entrega já é cobrada do cliente hoje.
Plano mensal do comércio
Mensalidade para o estabelecimento usar o app à vontade, com os entregadores dele ou os seus. Vira receita previsível e cria vínculo, mas exige que o app já esteja rodando bem na cidade.
O que uma entrega precisa ter que uma corrida não tem
Parece a mesma coisa e não é. Uma corrida termina quando o passageiro desce; uma entrega termina quando o pacote chega à pessoa certa, e é aí que aparecem os problemas.
- Mais de uma parada na mesma saída, para o motoboy aproveitar a viagem.
- Foto do pacote na coleta e na entrega, que encerra a discussão sobre o que foi entregue.
- Código de confirmação de quem recebeu, para o caso de o pedido ir para o vizinho.
- Observação do pedido, com o que o comércio escreveu para o entregador.
- Histórico por estabelecimento, para você saber quem mais usa e quem parou de usar.
Tudo isso já vem no sistema, é ligado no painel e funciona no mesmo app que faz corrida de passageiro.
Corrida e entrega no mesmo app
Não é preciso escolher. O mesmo aplicativo atende carro, moto, mototáxi, entrega, frete e guincho, cada categoria com o seu preço e a sua comissão. Você liga o que a sua cidade pede e desliga o resto.
Na prática, começar pelas entregas costuma ser mais rápido: o motoboy já existe, o comércio já paga por entrega hoje e o volume não depende de mudar o hábito de milhares de passageiros. Depois que o app está na mão dos motoboys, ligar a corrida de passageiro é uma configuração.
- Comece pelas entregas, onde já existe demanda paga.
- Use os mesmos entregadores para corrida de moto quando o movimento de comida cai.
- Ligue carro depois, quando houver motorista suficiente.
Os primeiros 10 comércios
A operação de entrega tem um lado a mais que a de corrida: além do entregador, você precisa do estabelecimento. A boa notícia é que ele é mais fácil de convencer, porque a dor dele é financeira e mensurável.
- Comece pelos que já fazem entrega própria e reclamam da taxa dos grandes.
- Leve a conta pronta: quanto ele paga hoje por mês de comissão e quanto pagaria com você.
- Ofereça a primeira semana sem cobrar, com você acompanhando cada pedido.
- Peça o cardápio e monte tudo para ele. Trabalho que você faz uma vez e vale a adesão.
- Combine o horário de pico e garanta entregador disponível na sexta e no sábado à noite.